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INTRODUÇÃO
Hoje resolvi ceder aos argumentos de amigos e inaugurar o meu blog. De todas as motivações, a do meu amigo Celso foi a que mais me seduziu: o exercício diário da escrita. Mas me intriga também o caráter de exposição íntima para milhares, incluído o paradoxo desse pensamento. Não pretendo criar um registro do cotidiano ordinário, mas, ao contrário, expor momentos que contenham características especiais, sejam eles factuais ou abstrações subjetivas. Também não desejo que o meu blog seja um modo mais prático de saber notícias minhas. Ainda valorizo o contato olho a olho ou voz a voz ou, de forma mais moderna, chat a chat, importante que considero a especificidade das relações.
O primeiro passo da criação do blog: o título. Quinze minutos se passam e eu continuo olhando para o monitor sem a menor idéia do batismo a ser feito. Um leve cansaço, penso em desistir... Ligo pra meu amigo Celso que como principal incentivador tem uma certa responsabilidade nisso também. Com a voz sonolenta justificada por uma noite mal dormida e após alguns minutos de pulsos telefônicos gastos, ele começa a rir e dispara após expor sua dúvida sobre a minha aceitação: PAVIO CURTO. Imediatamente, como uma roupa nova que no reflexo do espelho parece que foi sempre sua, assumo o batismo com uma gargalhada! Viva os amigos que nos conhecem tão bem e sabem da nossa história.
A história é a seguinte; há alguns anos, uma jornalista me acordou numa manhã de domingo explicando que estava fazendo uma matéria e gostaria da minha participação em forma de entrevista telefônica. Tratava-se de uma análise sobre pessoas de “pavio curto”. Com a voz tranqüila e macia de quem ainda se recuperava da noite anterior, relatei que não me enquadrava exatamente no perfil e indaguei quem havia me indicado. Quando a jornalista revelou o nome de uma atriz amiga, eu rompi num sobressalto vocal, vários tons acima do usado até então, expondo minha indignação com a indicação da amiga. Ao me flagrar sendo um perfeito “pavio curto” comecei a rir sendo acompanhado na gargalhada pela entrevistadora. Celso lembrou disso! Que bom!
O barulho do ventilador é a única música. Hoje quero sair e ouvir barulhos menos monótonos, talvez ensurdecedores mesmo. Estou feliz.
Escrito por tom às 20h02
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