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PAVIO CURTO


DISCUSSÃO BILINGUE

Um dia, há alguns meses, fui apresentado virtualmente a um americano, morador da tão falada Hollywood. Ele queria vir ao Brasil e tinha conhecido um grande amigo meu que parecia ser a motivação para sua viagem ao terceiro mundo. Pois bem, acabou ficando na minha lista do Messenger todos esses meses sem que nenhum outro contato tenha sido efetuado. Eis que hoje, o “plim” avisando a entrada de alguém da lista soa da mesma maneira que soaria se fosse um contato de Jebe Jebe de Penedo que os sons não são discriminatórios, e me aparece uma janela piscando e com uma palavra: “Hello” . Bom, meu inglês é muito pobre mas ainda tentei por uns 10 min, após desculpar-me pela minha antipatia com a língua mais falada no mundo - e que eu continuo achando língua de índio...imagina, uma língua que não conjuga verbos??. Continuando, tentei teclar com meu parco conhecimento “in english” e depois de um certo tempo ele me disse que tinha alguma noção do francês e combinamos que ele teclaria na sua língua natal e eu em francês, e assim foi. O americano hollywoodiano queria saber quanto custava o aluguel de um apartamento em Porto Seguro. Sou baiano nascido e criado nos ares da Soterópolis, mas só fui a Porto Seguro uma única vez, e disse que não fazia idéia do preço e ele me respondeu que eu deveria ter alguma idéia e que ele não tinha nenhuma. Ele insistiu na pergunta várias vezes e toda tentativa minha em derivar a conversa para outros assuntos era repelida. Acabei perguntando o porquê de ter escolhido Porto Seguro, e ele disse que não tinha escolhido nada e estava tentando apenas ter informações e perguntava a mim sobre aquela cidade por ser eu um baiano, e ainda ironizou questionando se ele deveria perguntar a mim informações sobre Cabo Frio, Florianópolis ou Itapurumbana ( existe essa ou foi brincadeira de mau gosto?)? E acrescentou um “hahahaha” que fez meu sangue ferver! Eu ainda consegui escrever que não tinha obrigação de saber nada ainda mais que não o conhecia, mas meu cérebro irritado se recusava a pensar em outra língua que não fosse o português, e mesmo assim, devo confessar, aquelas nossas  palavras usadas num momento “barraco”. Percebi que não ia conseguir prosseguir no objetivo de destruir a arrogância típica americana pela limitação lingüística e com um suspiro profundo que me desvencilhou da indignação que ameaçava estragar meu final de noite, digitei um “ Sorry, I have to go” e bloqueei o infeliz. Para sempre!


Realmente minha antipatia com os EUA e seus nativos parece coisa cármica, ancestral! Viagem para as terras americanas, só de graça e com um bom, aliás, um ótimo motivo!




Escrito por tom às 00h05
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ANTIGAMENTE

Depois de me divertir num espetáculo ambientado nos anos setenta que me trouxe inevitavelmente lembranças de um passado onde o amor era uma possibilidade sempre presente e desejada, saio com amigos recentes e me encontro com outros amigos que participaram dessas lembranças acima ditas, ou que pelo menos estavam nascidos e conscientes na época delas, considerando que a consciência de espaço e tempo se instalem simultaneamente à primeira crise de identidade ou algo assim que afinal não sou profissional da área e a teoria se baseia apenas na vivência ordinária.

 

O primeiro amigo antigo, e vou chamá-los assim mais para caracterizar a intensidade da amizade do que para denunciar suas, deles, idade, me deu um abraço tão apertado e confortante apesar dos poucos dias de ausência que ali ficaria muito tempo mais do que os poucos segundos que durou o gesto. Fui buscar o segundo amigo antigo conforme combinado e com esse fui para um bar que freqüentávamos nos anos oitenta, ou melhor dizendo, um novo bar no mesmo local do antigo. O terceiro amigo, esse o mais antigo dos três, encontrei totalmente por acaso do lado de fora desse bar. Ficamos então os três sentados como antigamente; pena que o primeiro, o do abraço, não compareceu, ocupado que estava com seus próprios amigos antigos. Claro que o pretérito, perfeito e imperfeito e mais que perfeito, foram os tempos verbais dominantes na nossa conversa o que foi estimulado mais ainda pelo vídeo que de forma surpreendente foi colocado; um show de Gal Costa para a Tv Globo onde ela recebe como convidada a pimentinha Elis Regina. Que delicia ouvir aquelas vozes que embalaram tantos preciosos momentos! Meus cabelos grisalhos se arrepiaram... de volta todos os cheiros, de volta todas as imagens, todas as dúvidas, algumas já resolvidas, outras permanentes, e veio principalmente aquela antiga e agora adormecida vontade de amar. Amar ao som de Edu Lobo ou até Djavan. Despedir-se de alguém e deitar pensando nesse alguém, acordar com desejo, chorar de amor, tremer de paixão... coisas de antigamente.


Edu Lobo canta “Canto Triste”.  “...peço apenas que ela lembre das nossas horas de poesia, das noites de paixão e diz-lhe da saudade em que me viste, que estou sozinho, que só existe meu canto triste na solidão”

Saudades, lembranças, melancolia gostosa, um lágrima rola do olho esquerdo.

 


 

 



Escrito por tom às 06h16
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