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METROS QUADRADOS A MAIS
Ontem recebi a proposta do meu irmão pra ir morar no apartamento que na partilha dos bens da minha tia, falecida há quase 10 anos – coisa demorada é inventário -, ficou para ele e minhas duas irmãs em cotas diferenciadas e arrumadas pelo meu outro irmão mais novo e dado às gerências financeiras. O que ocorre é que o imóvel estava alugado em contrato informal visto que não se pode alugar bens inventariados e o inquilino resolveu mudar-se para o meu bairro, vejam que coincidência. Assim, avaliando o risco de alugar para alguém desconhecido nesses termos informais, o custo de um condomínio relativamente caro e o meu desejo, sabido por ele, de sair para um lugar maior, moro num kitinete amplo para a sua categoria mas ainda assim pequeno para os pertences acumulados, eis que aconteceu o convite para mudar-me e assumir o custo básico da taxa condominial.
O dito apartamento tem 3 bons quartos, uma sala ampla até demais, um banheiro legal, uma cozinha bem dividida, área de serviço, enfim, um imóvel antigo do tempo em que não se exigia suítes mas bem agradável. Morei lá durante 3 anos dividindo as despesas com um amigo e depois com mais um amigo, casa sempre movimentada, amigos dos amigos e outros nem tão amigos, colegas, candidatos a qualquer coisa para usar eufemismos convenientes. Agora retorno absolutamente só. Morei sozinho várias vezes durante minha vida e há 5 anos habito sozinho na minha kitinete com vista para a imensidão da Baía de Todos os Santos, mas a idéia de estar num local com perto do triplo do tamanho me traz uma sensação de futuro isolamento, de solidão aguda! Nunca tive muitos problemas em estar só e pra falar a verdade eu gosto muito de estar só. Talvez seja bobagem essa preocupação porque certamente o espaço maior vai me trazer muitas vantagens, sem falar que vou estar livre do acesso á minha morada atual onde tenho que disputar a rua com os pedestres indisciplinados e as barracas de feira, sem falar no hábito de estacionamento dos dois lados da rua transformando uma mão dupla num beco onde ou se vai, ou se vem!
Daqui a no máximo 15 dias quero estar na amplitude do novo / ex apartamento com minhas coisas arrumadas sem aperto, sem empilhamentos ou inadequações de localização dos moveis a exemplo de uma cama na sala ou uma mala no banheiro! Não estou cuspindo no prato onde comi, mesmo porque nunca se sabe se teremos que comer de novo o mesmo prato e as vezes até requentado, sou e fui feliz a maior parte do tempo mas acho que esse novo habitat vem ilustrar espacialmente o presságio de mudanças na minha vida esse ano. Que venham todas as esquinas da vida que é como costumo chamar os acontecimentos com poder de transformação! Quero dobrá-las e vislumbrar outros caminhos, outras construções, outros campos, outros horizontes e outros rostos. E vamos caminhando que o mundo gira e eu não quero ficar tonto. Não de novo! ( essa estória de tonturas eu conto depois )
Silencio. Ouço até o barulho das ondas quebrando no cais da Marina Contorno. Isso também vou perder. Mas outros sons virão, mais urbanos... talvez se anuncie uma era metrópole na minha vida!
Escrito por tom às 05h37
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AMIZADE VIRTUAL
Há um pouco mais de dez anos eu resolvi comprar o meu próprio computador depois de usar por uns meses o de um amigo com o qual dividia a morada. Pois bem, como todo iniciante, a descoberta do mundo virtual se inicia com características de um intenso vicio e cheguei a passar 14 horas seguidas on line uma vez, movido a café e merendas. Loucura mesmo. Primeiro descobri os sites proibidos, os chats variados e somente mais tarde a possibilidade de pesquisa sobre todo e qualquer assunto. E pensar que sou do tempo em que se procurava informações nas grandes enciclopédias, lembro de uma chamada Barsa com capa vermelha e vários volumes. E um dia descobri o Mirc, um programa de bate papo com salas classificadas pelos interesses os mais variados, ou por localidades, do Brasil e estrangeiro. Era possível conversar com qualquer pessoa em qualquer parte do mundo e isso era, e ainda é, um dos grandes fascínios da Internet. Bom, num desses canais/salas conheci um gaúcho, na época morando em Curitiba que usava um apelido no diminutivo, o que era uma estratégia de se tornar acessível e querido pela maioria dos freqüentadores, considerando comum os “inhos” nos apelidos de pessoas carismáticas. Quem não conhece um Pedrinho ou Claudinho sem falar no famoso Joãozinho das piadas picantes contadas há séculos.
Esse “inho”, como vou chamá-lo aqui entrou na minha vida pelo monitor de forma intensa, participava de todos os meus momentos dirunos relatados nos nossos encontros virtuais noturnos. Eu também sabia de tudo ou quase tudo que acontecia na sua vida, do seu amor incondicional por um cão até sua crise afetiva do casamento, da rotina do trabalho à dúvida do retorno à sua cidade natal. Dos contatos virtuais partimos para longos papos telefônicos, divididos os pulsos meio a meio. Eram conversas sobre assuntos variados mas quase sempre bem humoradas salvo quando o tema era crítico e traumático demais para se rir. Foram anos de chats e pulsos telefônicos, perdi parentes, amei, desamei, engordei, emagreci, e a nossa amizade foi se cansando da distância, da ausência física, os contatos rarearam em parte pelo cansaço e em parte pelas bruscas mudanças em nossas vidas, ele descasou, voltou para a casa dos pais, as perspectivas foram redimensionadas, os emails mudaram, o encantamento pelo mirc empalideceu e... perdemos contato.
Um dia um outro amigo me envia um convite para participar de uma espécie de rede de amigos chamada Orkut. Entro, me cadastro e alguns meses depois, recebo um convite para entrar na lista do meu querido “inho” que tinha lembrado de mim e procurado pelo nome. Bendito orkut! Ele retorna para meus dias, agora de Sampa que é uma cidade que está na minha estória e no meu coração. Meu amigo agora é um quase-paulista batalhador como sempre, bem humorado como sempre e carismático como sempre embora não esteja mais usando, que eu saiba, o apelido no diminutivo! Fiquei pra lá de feliz em tê-lo de volta nas minhas listas de contatos, tenho um prazer enorme nos nossos papos pelo Messenger que substituiu de forma mais particularizada os papos mirquianos, e devemos, pela lei natural das coisas retomar também o hábito telefônico embora as tarifas de interurbano não estejam lá tão simpáticas quanto meu amigo. Lá se vão perto de dez anos do primeiro contato. Não sei exatamente como analisar as diferenças e semelhanças entre essa amizade e as consideradas normais com duração aproximadamente iguais, mas sinto uma espécie de afeto transbordante que certamente um dia deverá, assim espero, poder ser transmitido num forte e demorado abraço que sonho um dia lhe dar!
Seja bem-vindo de volta à minha vida!
Chove muito, dentro e fora de mim, mas não é tristeza, é sensação de alma lavada e purificada!
Escrito por tom às 01h16
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