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PAVIO CURTO


FASES DA VIDA

Em primeiro lugar quero pedir desculpas pela demora na atualização desse blog mas escrever pra mim é um ato de extrema exposição de pensamentos, e para que isso aconteça de forma íntegra e sem a superficialidade tão comum nos relatos que transformam os blogs num diário de ocorrências banais, tenho a necessidade de uma motivação qualquer que torne válido um registro textual. O fato é que nos últimos tempos a rotina aliada a eventos mais ordinários como uma gripe, e me permitam o desabafo, filha-da-puta, que me deixou de cama uns 3 dias, não produziram motivações suficientes.

 

Há uns 3 dias, fui visitar a minha vó, aquela de quase 97 anos e que já está virando protagonista de varios post... Sempre tive uma tendência a encarar a vida como um processo ininterrupto de envelhecimento e nisso não vai nenhum pensamento derrotista ou sequer melancólico, mas a evolução de algumas funções combinadas com a involução de outras sempre me pareceu um mistério indecifrável. Chico Anísio escreveu uma crônica que ouvi dramatizada no programa Fantástico há alguns anos em que ele teorizava um processo vital ao inverso, ou seja, começaríamos a nossa existência cheios de rugas e limitações e com o passar dos dias nos tornaríamos mais ágeis, mais bonitos, mais efusivos até “morrermos” num intenso orgasmo. Já se definiu também o envelhecer com uma máxima um tanto quanto pessimista, embora com certa veracidade; “quanto mais sabemos, menos podemos”. Num aspecto todos parecem concordar. Não é fácil envelhecer!

 

Fala-se muito na adolescência como período de absoluta crise e até uma especialidade médica, que me foge o nome agora, foi criada para tratar pacientes nessa fase. Quem não já se irritou com aqueles bandos de adolescentes nos shopping center com suas vozes dissonantes e vários tons acima do suportável aos ouvidos humanos?! Neles a energia vital transborda, pouco se sabe mas tudo se pode. Por outro lado, suas identidades ainda não consolidadas provocam momentos da mais completa angústia existencial. Eles não sabem como se definir, mulheres ou meninas, meninos ou rapazes, uma transição obrigatória. Não é fácil “adolescer”!

 

A felicidade existencial no sentido mais completo e profundo do conceito, só é possível portanto, a uns poucos adultos, os que sabem um pouco mais e podem um pouco mais, e para isso, tenho cada dia mais certeza, torna-se imprescindível a “honestidade pessoal”, o respeito vigilante sobre nossos gostos, anseios e afetos. Posso felizmente declarar que sou um privilegiado, vivencio a minha felicidade existencial numa intensidade satisfatória e sempre crescente com todos os ingredientes necessários, saúde, amigos maravilhosos, família unida, profissões que me dão prazer... e os temperos adicionais vou conquistando. È bom amadurecer!

 

E que dia podemos definir que ficamos velhos? Minha vó fala que ficou velha aos 90 anos. O que definiria essa passagem? Talvez a incorporação irreversível de um sentimento de cansaço, profundo cansaço. E tudo terminaria num suspiro. De cansaço. De alívio. Alívio de quem senta depois de uma longa caminhada. Os pés param de arder. E agora tudo sabemos e tudo podemos.


Vou me esforçar para escrever com mais freqüência. Escrever me traz uma sensação de felicidade plena. Quem sabe não me aventuro num verdadeiro livro?

 




Escrito por tom às 15h24
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