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CARBOIDRATOS AMIGOS

Síndrome vertiginosa. Uma síndrome, na linguagem médica, é um conjunto de sinais e sintomas e a palavra vertiginosa tem etimologia mais do que óbvia. Este foi o diagnóstico dado há quase um ano e meio atrás para uma tontura súbita de que fui acometido acompanhado de um suor frio e a sensação desagradável de fim de linha. Depois de muitos exames e cinco crises em dois meses, o que me deixou numa instabilidade emocional nunca experimentada antes, ou talvez só comparável a um amor desmedido no passado que transformou minha auto-estima num vapor rasteiro, foram afastadas todas as hipóteses de outras doenças mais graves causando a tal síndrome como tumor ou insuficiência na circulação cerebral ou mesmo diabetes. A hipótese considerada mais provável para os meus momentos de mais desagradável desequilíbrio corporal, foi um defeito talvez genético no ouvido interno; pois é, temos um ouvido externo e um interno e até mesmo um médio como mostra a figura. Nada a fazer para cura definitiva e algumas precauções foram aconselhadas como abstenção total do café e álcool em doses exageradas, cuidado com os doces, uso de algumas medicações antes de embarcar num vôo ou em viagens terrestres e marítimas prolongadas, prática de exercícios físicos. Pois bem, um ano e quatro meses sem nenhum vestígio da desequilibradora síndrome.
A recomendação de exercícios físicos regulares foi facilmente atendida, ou melhor, é um hábito que mantenho há muito tempo quando nem pensava que pudesse ser vítima da antigamente nominada labirintite, considerada doença de velhos. Bom, pensando bem, esse pode ser o primeiro sinal de envelhecimento irreversível, mas não quero falar disso agora. E por não querer nem pensar nessa possibilidade, resolvi aliar às minhas duas horas e meia diárias de academia, uma dieta noturna que consiste em evitar os famosos carboidratos, inimigos da boa forma, visando perder uns três ou quatro quilos e definir a musculatura já um tanto elogiada. Vaidade assumida e talvez exagerada. No lugar dos habituais biscoitos e petiscos noturnos, passei a ingerir gelatinas diet, sopas light, atum com verduras e outras receitas recomendadas por amigos, todos com abdome de tanquinho e índice de gordura corporal abaixo de 10. Já no primeiro dia um cansaço foi sentido, no segundo parecia que eu estava drogado, no terceiro o raciocínio ficou lentíssimo e na manhã do quarto dia acordei sentindo um calor esquisito e ao sentar na cama o mundo rodopiou, meu quarto virou uma montanha russa desgovernada, o chão rapidamente ficou encharcado de suor que pingava de todos os meus poros e o estômago revirava como uma máquina de lavar roupas. Por sorte eu havia esquecido o telefone na mesa de cabeceira e pude pedir socorro à minha família que ciente da minha auto-suficiência sabe que quando solicito ajuda é porque não houve outra alternativa. Enquanto esperava a chegada de algum parente, outro sintoma enriqueceu a crise; uma cólica abdominal que me obrigou a percorrer a distância entre a minha cama e o banheiro, na verdade uns 3 ou 4 metros que se transformaram num desafio, como andar numa corda bamba. E ao abrir a porta da rua para meus salvadores, distância maior e maior o desafio, o mexe-mexe do estômago se intensificou e premiei o chão da sala de estar com um conteúdo gástrico finalizado num balde trazido às pressas pelo meu cunhado, herói do dia pela ausência de asco aos meus conteúdos excretáveis. Daí em diante, tontura, náuseas, sudorese, tremores e principalmente os vômitos alarmaram meus familiares que decidiram pela hospitalização numa emergência na qual permaneci durante quase doze horas numa segunda etapa de investigações.
Conclusão final: a síndrome vertiginosa tinha sido detonada pela minha louca dieta, o meu afã em perder algumas células de gordura promoveu um sábado desagradável para todos e subseqüentes dias de uso de medicações que transformaram minha rotina, inclusive me afastando das esteiras e bicicletas e quem sabe, incorporando alguns quilos a mais. Não vou subir em balança nenhuma até poder recuperar minhas horas de academia, mas também quero todos os biscoitos e merendas noturnas que meu paladar desejar. Os carboidratos são agora meu amigos, preferidos e queridos!
Fiquei sabendo que a incidência dessa síndrome é maior do que imaginava. Alguém aí já foi acometido?
Escrito por tom às 17h22
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